Descubra o funcionamento dos drones kamikaze, como LUCAS e Shahed-136, que estão presentes em conflitos armados e utilizam tecnologia autônoma.
O embate entre a Rússia e a Ucrânia, que teve início em 2022, trouxe uma revolução nas táticas de combate. Aeronaves tradicionais, como caças, estão sendo superadas por uma alternativa mais econômica e eficaz: os drones kamikaze.
Essa realidade foi evidenciada em ações conjuntas dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, onde o drone “LUCAS” foi integrado ao arsenal dos dois países. Recentemente introduzido nas Forças Armadas americanas, este equipamento é uma versão do Shahed-136, que foi desenvolvido no Irã.
O que são drones kamikaze?
Esses drones, também conhecidos como drones suicidas, são Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT) que destinam-se a colidir com o alvo ao serem ativados. Portanto, eles se autodestruem ao atingir o objetivo, justificando o termo “suicida”.
Esses dispositivos fazem parte da categoria de “munições guiadas de precisão” e foram inspirados na estratégia dos pilotos japoneses que utilizavam seus caças contra barcos durante a Segunda Guerra Mundial, sendo conhecidos como “kamikazes”.
Os drones de combate modernos diferem substancialmente dos jatos da época, pois não transportam humanos. Muitas vezes, não carregam mísseis, tornando-se a própria bomba, apesar de poderem ser equipados com ogivas para aumentar sua letalidade.
Esses drones são habilitados a permanecer no ar por horas, seguindo estratégias militares específicas até localizarem o alvo. Suas rotas de voo são cuidadosamente planejadas para evitar sistemas de defesa aérea.
Diferença em relação a drones tradicionais
Diferentemente dos drones convencionais, que são caracterizados por serem reutilizáveis e realizarem múltiplas missões, os drones kamikaze são projetados para um uso único. A construção de novas unidades é necessária após cada missão, o que resulta em custos significativamente mais baixos comparados às aeronaves não tripuladas convencionais, tornando-os viáveis para exércitos com orçamentos limitados.
Um exemplo é o MQ9-Reaper, que tem um custo superior a US$ 50 milhões (cerca de R$ 261 milhões). Em contrapartida, o custo médio de um drone kamikaze gira em torno de US$ 30 mil, ou R$ 157 mil, uma economia substancial, especialmente quando comparado ao preço dos mísseis, que muitas vezes ultrapassam milhões de dólares cada.
Como operam os drones kamikaze?
Essas aeronaves, que lembram pequenos aviões ou mísseis, são projetadas para velocidade e discrição, variando em tamanho de 60 cm a mais de 3 m. A tecnologia utilizada pode variar, incorporando câmeras e GPS, e em alguns casos, inteligência artificial e recursos avançados.
As etapas de um ataque aéreo com essas armas de alta precisão incluem:
Lançamento
Os lançamentos podem ser realizados a partir de diferentes plataformas, incluindo estações terrestres e tubos portáteis, dependendo do local e do tamanho do drone.
Voo de observação
Após ser lançado, o drone inicia seu trajeto até o alvo, podendo ser controlado remotamente ou operar de forma autônoma, utilizando coordenadas preestabelecidas. Essa fase pode durar de minutos a horas, com imagens sendo transmitidas para a equipe em solo.
Travamento do alvo
Nesta fase, o drone identifica e rastreia alvos, que podem incluir outros drones, veículos ou tropas inimigas. O uso de GPS, sensores e IA é essencial neste processo.
Ataque
Uma vez confirmado o alvo, o drone avança para o impacto, podendo detonar ao colidir ou alguns metros antes, caso transporte uma ogiva, resultando na destruição do alvo.
A manobra pode ser feita remotamente, permitindo que o piloto tenha a opção de abortar o ataque, ou de forma autônoma, se for um sistema inteligente.
Drones LUCAS e Shahed-136
A operação Epic Fury, realizada em fevereiro, destacou o uso de uma nova aeronave militar dos EUA: o Sistema Não Tripulado de Baixo Custo de Ataque e Combate, conhecido como “LUCAS”.
Desenvolvido a partir de uma unidade recuperada do drone iraniano, o LUCAS possui 2,4 m de envergadura, é capaz de carregar até 18 kg de explosivos e tem um alcance de 800 km. Sua operação inclui a capacidade de seguir coordenadas de satélites avançados e voar em enxames, utilizando IA para decisões autônomas.
O Shahed-136, por sua vez, tem semelhanças com o drone IAI Harpy, criado em Israel nos anos 80. Com 2,5 m de envergadura e peso de cerca de 200 kg, ele carrega explosivos de até 45 kg, atingindo um alcance superior a 2.000 km.
Motivos para o uso de drones em conflitos
A recente adoção de drones em guerras modernas se deve a diversas razões, incluindo a facilidade de evitar bloqueios de sinal e interferências eletrônicas. O LUCAS conecta-se a redes de satélites para mantê-lo operacional, driblando as tecnologias inimigas.
Outro ponto forte é a habilidade de execução de vigilância e reconhecimento, fornecendo informações em tempo real sobre os movimentos do inimigo, além de um menor risco para os operadores, já que elimina a necessidade de colocar pilotos em situações de risco.
Custo e eficácia
As vantagens incluem não apenas o custo reduzido, que possibilita a produção em larga escala, mas também a alta precisão do ataque, resultando em operações eficientes que podem causar danos diretos. Um exemplo disso foi a operação “Teia de Aranha” realizada pela Ucrânia, que resultou na destruição de importantes equipamentos russos.
Aspectos éticos e regulatórios
No crescente uso de drones kamikaze, surgem ainda questões éticas relacionadas à guerra. Especialistas discutem sobre a responsabilização em casos de falhas que levem a danos colaterais, colocando em dúvida a legitimidade de permitir que sistemas autônomos decidam por conta própria em situações de combate.
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