Um relatório intitulado “BrowserGate” revelou que o LinkedIn estaria supostamente utilizando métodos de raspagem para coletar dados de seus usuários de maneira ilegal. Em uma declaração ao TecMania, a plataforma negou as acusações.
A organização Fairlinked e.V. publicou um relatório detalhado chamado “BrowserGate” que alega que o LinkedIn está espionando seus usuários. A investigação sugere que a rede social voltada para o ambiente profissional teria a capacidade de acessar extensões de navegador dos usuários, comprometendo a concorrência de forma desleal. Em resposta, o LinkedIn negou as alegações em uma declaração para o TecMania.
Para a realização dessa espionagem, a plataforma estaria utilizando táticas de “browser fingerprinting”, uma técnica que analisa o navegador dos usuários. Esse método envolve um código oculto que mapeia quais extensões estão em uso, independentemente do navegador acessado, seja Google Chrome, Brave ou Edge.
O código em questão tenta carregar recursos específicos de tais extensões, como ícones ou scripts, a fim de determinar se o usuário está utilizando ferramentas que a empresa considera relevantes. De 2024 a 2026, o número de extensões e produtos analisados pela plataforma saltou de 461 para mais de 6.000, indicando uma capacidade ampla de monitoramento.
Segundo a Fairlinked, a principal questão é que o LinkedIn não informa ou não solicita permissão para conduzir esse tipo de varredura. Por isso, os usuários estariam sujeitos a um monitoramento constante ao utilizarem a plataforma da Microsoft.
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LinkedIn acusado de ameaças
Além da violação de privacidade, a plataforma também estaria utilizando esses métodos para prejudicar seus concorrentes. As acusações afirmam que quando o código identifica que um usuário está utilizando uma extensão concorrente, como Apollo, Lusha ou ZoomInfo, o LinkedIn pode enviar notificações de banimento e ameaças legais.
- A plataforma teria a capacidade de perceber se um usuário pretende mudar de emprego antes mesmo de se candidatar a novas vagas;
- A análise de extensões abrangeria plugins voltados para portadores de dislexia e até ferramentas religiosas;
- O Digital Markets Act (DMA) da União Europeia forçou o LinkedIn a abrir sua plataforma para outras APIs, mas a empresa está utilizando duas estruturas consideradas lentas;
- Internamente, eles estariam usando uma API ágil chamada Voyager, mas omitiram essa informação da organização;
- Todos os dados de escaneamento estariam criptografados e enviados para servidores externos.
Se confirmadas, as revelações do BrowserGate podem representar um dos maiores escândalos de privacidade recentes, e o LinkedIn pode enfrentar severas penalidades em diferentes países. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece que a coleta de dados sem consentimento é uma infração sujeita a multas e indenizações.
LinkedIn rejeita as acusações
Em contato com a assessoria de imprensa que representa o LinkedIn no Brasil, o TecMania buscou entender o caso. A empresa negou as alegações e detalhou como funcionam as extensões mencionadas.
- “As alegações feitas no site mencionado são completamente incorretas. O indivíduo por trás delas está sujeito a restrições de conta por práticas de raspagem e outras violações dos Termos de Serviço do LinkedIn.
Para proteger a privacidade dos nossos membros e garantir a estabilidade da plataforma, buscamos identificar extensões que coletam dados sem o consentimento dos usuários ou que infringem os Termos de Serviço do LinkedIn.
Adicionalmente, algumas extensões possuem recursos estáticos que podem ser injetados em nossas páginas. Detectamos a presença dessas extensões verificando se o URL desse recurso está presente, e essa detecção é visível no console de desenvolvedor do Chrome. Utilizamos essas informações para identificar extensões que ferem nossas diretrizes e para aprimorar nossa segurança técnica.
Por fim, em resposta à restrição de conta do responsável, ele tentou obter uma liminar na Alemanha, alegando que o LinkedIn violou várias leis. O tribunal decidiu contra ele, afirmando que suas alegações não tinham fundamento e que suas próprias práticas de coleta de dados estavam em desacordo com a legislação.
Esse é um caso de alguém que perdeu em tribunal, mas que tenta reabrir o debate público sem compromisso com os fatos.”
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