Universidade da Estônia usa matéria surpreendente para criar baterias

Créditos: CPT

Alguns pesquisadores da Universidade de Tartu, na Estônia, desenvolveram um meio inusitado de criar baterias: a turfa, um material encontrado em regiões de pântanos e montanhas. A turfa é um material de origem vegetal, uma espécie de adubo orgânico, bastante comum nos pântanos localizados na região norte da Europa e, por sua abundância nas proximidades da Estônia, ela pode ser vista como um meio eficaz para a criação de baterias.

Os cientistas da Universidade de Tartu descobriram que o material pode ser para fazer baterias de íon de sódio mais baratas, que podem ser usadas em veículos elétricos, segundo apontam as pesquisas feitas por eles.

As baterias de íon de sódio, que não contêm lítio, cobalto ou qualquer outro material relativamente caro, são uma das novas tecnologias que os fabricantes de baterias estão procurando ao buscar alternativas para o atual modelo de baterias que é encontrado no mercado, feito por íon de lítio.

Os pesquisadores responsáveis por essa descoberta afirmam que encontraram uma maneira eficiente de usar a turfa em baterias de íon de sódio e que isso será capaz de reduzir o custo geral de sua criação, embora essa nova tecnologia ainda esteja apenas dando seus primeiros passos.

Conforme afirmou Enn Lust, chefe do Instituto de Química da Universidade de Tartu, “a turfa é uma matéria-prima muito barata. Este material não custa nada, na verdade”, uma vez que pode ser encontrado na natureza e é muito comum nas regiões pantanosas da Europa.

O processo de criação utilizando esta matéria-prima inclui o aquecimento da turfa decomposta a uma alta temperatura em um forno por cerca de 2 a 3 horas. A universidade espera que o governo financie uma fábrica de pequena escala na Estônia para testar a eficácia desta tecnologia.

Embora no Brasil não seja comum ouvirmos falar sobre este material de origem vegetal, os destiladores na Escócia secam o malte em fornos de feitos de turfa, o que dá um sabor especial ao uísque lá produzido. Já em alguns países do norte da Europa, a população usa a turfa para abastecer fábricas e residências, ou até mesmo como fertilizante.

Entretanto, há impactos negativos para esta situação: conforme os pântanos são drenados, para que a turfa seja retirada, eles liberam dióxido de carbono que ali estava retido, o que, sem dúvida, aumenta as preocupações ambientais. Por outro lado, os cientistas estonianos dizem que utilizaram turfa decomposta em seus testes, ou seja, um resíduo da turfa que geralmente é descartado e, por essa razão, os impactos ambientais não são tão marcantes.