‘Saúde por todo o Pará’ registra mais de 800 atendimentos em territórios Kayapó

A população da aldeia mostrou que quer receber os serviços de saúde oferecidos pelo governo do EstadoDesde as primeiras horas deste domingo (19), a movimentação era intensa no Posto de Saúde da aldeia Turedjãm dos Kayapó. A comunidade atendeu ao chamado do cacique Tuturê Kayapó, mas também externou seu desejo de receber os serviços ofertados pela expedição “Saúde por todo Pará: Territórios Indígenas”.

“Eu fui de casa em casa, e falei para todos irem ir até nossa farmácia porque precisamos de saúde, para que nossa comunidade se mantenha”, disse o líder da maior aldeia visitada nesta etapa da expedição, destinada ao atendimento de indígenas da etnia Kayapó, nos municípios de Tucumã e Ourilândia do Norte, no Sudeste do Pará.Ivana Pimentel, supervisora administrativa e assistencial no CIIR

Com a chegada da equipe formada profissionais da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Distrito Sanitário Indígena Especial Kaiapó, a aldeia Turedjãm se tornou a quarta a receber os serviços de aplicação de testes rápidos para detecção de Covid-19, sífilis, malária, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), vacinação e consultas com equipe multiprofissional.

Coleta de material para pesquisaAlém de ofertarem um conhecimento sobre o cenário de saúde da população indígena na região, os profissionais coletam dados durante os atendimentos, que serão utilizados como base para implementação e reforço de políticas assistenciais e estudos científicos.

João Guerreiro, médico e professor titular da UFPA no Instituto de Ciências Biológicas, é um desses profissionais. Nesta etapa da expedição, ele coordena uma equipe de pesquisas epidemiológicas em busca de possíveis fatores de risco para doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e obesidade. “Os indígenas vêm passando por um processo de transição nutricional e epidemiológico que são consequência de diversos fatores. Por isso, esse tipo de ação, com a parceira de instituições de ensino, é fundamental para algo tão complexo como a saúde dessa população. A gente espera que esses dados possam contribuir para a implementação ou reforço de políticas públicas em todos os níveis”, ressaltou o professor.

Saúde das crianças – Entre os vários exames realizados nos últimos cinco dias nas aldeias Moidjãm, Pykatum, Kenopyre e Turedjãm, alguns são específicos para prevenção e detecção precoce de alterações clínicas que possam comprometer a nutrição, a linguagem e o desenvolvimento das crianças, como os testes da “linguinha” e da “orelhinha”.Atendimento a idosos da aldeia

A aplicação desses testes foi feita por terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos do CIIR, que vêm acompanhando as viagens da expedição “Saúde por todo o Pará” desde a edição Marajó, no mês de agosto. “Nosso objetivo tem sido contribuir com o projeto e com a melhoria da qualidade de vida de toda a população paraense, a partir de avaliações especializadas, que facilitam o diagnóstico inicial e o encaminhamento para atendimento em centro de referência”, informou Ivana Pimentel, supervisora administrativa e assistencial no CIIR.

Atendimentos – Com programação para realizar novos serviços assistenciais em outros territórios indígenas do Pará, entre os meses de outubro e novembro, esta primeira etapa destinada aos Kayapó alcançou a marca de 893 atendimentos, entre consultas, exames laboratoriais e avaliações multiprofissionais.

Medição de temperatura para detecção de casos de Covid-19Ao final desta primeira etapa de atendimento aos indígenas Kayapó, Eliene Putira Sucuena, coordenadora de Saúde Indígena e Populações Tradicionais na Sespa, destacou os resultados alcançados e a importância do projeto. “Ações como essa são de suma importância para que possamos identificar e analisar o perfil epidemiológico do que vem acontecendo nesses territórios. Isso nos permite planejar e ampliar os serviços de saúde realizados pelo governo do Estado nessas áreas, interagindo com a interculturalidade desses povos”, declarou a coordenadora.

Além do atendimento à etnia Kayapó, a expedição “Saúde por todo o Pará: Territórios Indígenas” chegará às etnias Xikrin do Bacajá (13 e 23 de outubro) no Dsei Altamira; Parakanã (8 a 13 de novembro), no Dsei Guamá-Tocantins, e Munduruku (17 a 25 de novembro), no Dsei Tapajós.



Fonte: Agência Pará de Notícias