Pesquisa comprova boa produtividade de mandiocas cultivadas no Acre

Paxiubão, Pirarucu, Chico Anjo, Mansibraba e Caboquinha são variedades de mandioca bem conhecidas por produtores rurais acreanos. Pesquisa desenvolvida pela Embrapa Acre confirmou a alta produtividade dessas variedades, reforçando o valor do conhecimento tradicional dos agricultores nas atividades produtivas. As cultivares testadas apresentaram os melhores rendimentos em seus respectivos locais de seleção, Baixo Acre e Vale do Juruá, resultado que mostra a interação positiva da cultivar com seu ambiente de origem. No Acre, a mandioca é a principal cultura agrícola e desempenha importante papel econômico e social. Embora apresente produtividade média de 23,7 toneladas por hectare, superior à média nacional de 15 toneladas por hectare (IBGE), estudos da Embrapa apontam que o potencial produtivo da cultura pode ser melhorado com o uso de variedades adaptadas às condições de clima e solo de cada região, de práticas adequadas de manejo do solo e adoção de uma agricultura sem fogo. “A busca por cultivares de mandioca cada vez mais produtivas é uma prática constante entre os produtores acreanos. No entanto, para se obter sucesso com uma nova variedade e recomendá-la para o cultivo é preciso conhecer o desempenho do material na região. Assim, podemos oferecer informações a partir do ponto de vista científico”, pondera Celso Bergo, pesquisador da Embrapa Acre. De acordo com o pesquisador Falberni Costa, outro aspecto a ser considerado é se esse novo material produzirá tão bem quanto o material nativo, sem a necessidade de grandes investimentos em insumos externos à propriedade. “Isso é coerente com a realidade dos agricultores familiares da Amazônia”, acrescenta. Cultivares avaliadas O estudo “Desempenho de Genótipos de Mandioca no Baixo Acre e Juruá” comparou o comportamento de diferentes variedades em relação ao teor de amido e produtividade das raízes. Um experimento instalado no Campo Experimental da Embrapa, em Rio Branco, avaliou cinco cultivares de mandioca tradicionalmente utilizadas por produtores rurais acreanos: Paxiubão e Pirarucu (plantadas na regional do Baixo Acre) e Chico Anjo, Mansibraba e Caboquinha (cultivadas no Vale do Juruá), e uma variedade recomendada pela Embrapa para cultivo na regional do Baixo Acre, a BRS Ribeirinha. Outro experimento, conduzido no município de Mâncio Lima, na regional do Vale do Juruá, acompanhou o desempenho das cultivares Mansibraba e Branquinha, além da BRS Ribeirinha, única cultivar avaliada nas duas regionais. Desempenho em campo De acordo com Bergo, as medições de produtividade das cultivares BRS Ribeirinha e Pirarucu, em Rio Branco, foram 23 e 25 toneladas por hectare, quando cultivadas sem correção e adubação do solo, resultado superior à produtividade das cultivares plantadas no Juruá: Chico Anjo (17 toneladas por hectare), Mansibraba (18 toneladas por hectare) e Caboquinha (21 toneladas por hectare). Em Mâncio Lima, a cultivar BRS Ribeirinha, plantada em solo com baixa fertilidade – sem correção e adubação – foi a que menos produziu (6 toneladas de raízes/hectare), desempenho inferior ao obtido pelas cultivares Branquinha e Mansibraba, com 10 e 19 toneladas por hectare, respectivamente. Nesse mesmo experimento, após correção do solo e adubação, houve aumento significativo na produtividade das três cultivares testadas, com respostas mais expressivas para a Branquinha e BRS Ribeirinha. “O uso da adubação proporcionou acréscimos de 90% na produtividade da cultivar Branquinha, passando de 10 para 19 toneladas por hectare. Também constatamos um aumento expressivo de 267% para a BRS Ribeirinha, que saltou de 6 para 22 toneladas por hectare. Já a produtividade da Mansibraba em solo corrigido e adubado foi menor, em comparação com os demais genótipos, apresentando 26% de aumento comparativamente ao tratamento sem uso de insumos”, acrescenta o pesquisador. Ele destaca que chama a atenção o fato de que esta cultivar, mesmo sem o uso de adução, produziu 19 toneladas por hectare, produtividade igual à alcançada pela Branquinha em solo adubado. Em relação ao teor de amido, de acordo com o estudo, não se identificou diferença significativa entre as cultivares avaliadas. Em Rio Branco, a média foi de 29% e em Mâncio Lima ficou em 31% e 33% sem e com correção e adubação, respectivamente. O analista Daniel Lambertucci, supervisor do setor de Transferência de Tecnologias da Embrapa no Juruá, acredita que o resultado da pesquisa, aliado às ações de transferência de tecnologias em andamento na região, pode apoiar a tomada de decisão de produtores rurais quanto ao modelo de cultivo a ser adotado. “Se o agricultor faz cultivo tradicional o indicado é que utilize os genótipos já plantados na região e que respondem muito bem. Mas, se optar pelo cultivo com uso de tecnologias e insumos, o ideal é que busque variedades (genótipos) que apresentam melhor produtividade para garantir que o investimento tenha retorno satisfatório”, recomenda. Experiência de agricultores Para o agricultor Rosemir de Queiroz Pinheiro, morador de Mâncio Lima e parceiro na pesquisa, é importante observar as características de cada variedade de mandioca. Desde criança ele trabalha com a produção de farinha, por isso tem experiência para falar das variedades mais produtivas. “É preciso ter cuidado na escolha porque algumas têm mais casca, outras apresentam mais água e outras não dão farinha boa. Para produzir uma boa farinha, aqui no Juruá temos a Branquinha, a Chico Anjo, Mansibraba, Caboquinha, Curimã e Santa Maria”, reforça. Com relação à BRS Ribeirinha, cultivar em processo de validação, o agricultor pondera que embora o desempenho em solo sem adubação seja inferior ao de cultivares tradicionais da região, o resultado com o uso do descascamento mecanizado surpreendeu. “Essa cultivar da Embrapa é ideal para descascar com a máquina. As raízes são praticamente iguais e isso facilita o descascamento mecânico e reduz perdas. Mesmo com uma produção menor, a gente ganha com a mecanização porque essa mandioca quase não tem falhas. Tive um ótimo proveito”, explica. A agricultora Graciete de Souza Oliveira conta que aos 10 anos de idade já ajudava o pai nas atividades agrícolas e, hoje, com 58 anos, tem uma longa história com as manivas. “Sempre plantei mandioca para fazer farinha e tirar o sustento da minha família. Por isso, costumo dizer que o segredo de uma boa colheita é escolher bem as manivas. A Branquinha e a Mansibraba já foram testadas pela Embrapa e mostraram que são boas mesmo! Fiquei feliz de saber porque vi que fiz a escolha certa”, afirma. Parentesco entre as manivas In natura, em forma de farinha, fécula, polvilho e até tapioca, a mandioca – também chamada de macaxeira pelos acreanos – está presente no cardápio dos brasileiros nas diversas regiões do país. Considerada uma cultura importante para garantir a segurança alimentar dos agricultores familiares, a seleção de cultivares adaptadas às regiões acreanas está entre as estratégias da pesquisa para elevar o rendimento dos cultivos e incentivar a expansão da mandiocultura no Acre. Outros estudos realizados pela Embrapa Acre sugerem que embora as etnovariedades recebam nomes diferenciados conforme a localidade onde são utilizadas, grande parte dos materiais apresenta muita semelhança, ou seja, possui um grau de parentesco bem próximo. “Por isso, a identificação, recomendação e disseminação de novos materiais genéticos de mandioca requer estudos mais detalhados. Nesse processo, a parceria com os agricultores tem sido fundamental por contribuir tanto com as pesquisas como para a manutenção de diversos genótipos ao longo dos anos”, ressalta Bergo. Para Falberni Costa, mesmo considerando essas semelhanças, os resultados obtidos chamam a atenção para a importância da interação genótipo-ambiente. “Portanto, é necessário precaução na sua interpretação, em que pesem as diferenças de solo e clima nas distintas regiões do Acre, e relacionadas ao tempo em que ocorreram os testes de campo”, alerta Costa. Confira na íntegra os resultados da pesquisa A publicação “Desempenho de Genótipos de Mandioca no Baixo Acre e Juruá”, de autoria dos pesquisadores Celso Luís Bergo, Falberni de Souza Costa e dos analistas Lauro Saraiva Lessa e Daniel Lambertucci, traz resultados detalhados do estudo realizado pela Embrapa. A pesquisa faz parte do projeto Mandiotec, componente do Projeto Integrado da Amazônia, financiado pelo Fundo Amazônia e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente, iniciativa que tem como desafio promover o fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca na região do Juruá, para aumento da renda e promoção da qualidade de vida das famílias rurais. A história do seu Rosemir e da dona Graciete também pode ser conferida na nona edição da Revista do Projeto Integrado da Amazônia, publicação que divulga as ações da Embrapa na região, com o apoio do Fundo Amazônia/BNDES. Para acessar a revista eletrônica, clique aqui.

Paxiubão, Pirarucu, Chico Anjo, Mansibraba e Caboquinha são variedades de mandioca bem conhecidas por produtores rurais acreanos. Pesquisa desenvolvida pela Embrapa Acre confirmou a alta produtividade dessas variedades, reforçando o valor do conhecimento tradicional dos agricultores nas atividades produtivas. As cultivares testadas apresentaram os melhores rendimentos em seus respectivos locais de seleção, Baixo Acre e Vale do Juruá, resultado que mostra a interação positiva da cultivar com seu  ambiente de origem. 

No Acre, a mandioca é a principal cultura agrícola e desempenha importante papel econômico e social. Embora apresente produtividade média de 23,7 toneladas por hectare, superior à média  nacional de 15 toneladas por hectare (IBGE), estudos da Embrapa apontam que o potencial produtivo da cultura pode ser melhorado com o uso de variedades adaptadas às condições de clima e solo de cada região, de práticas adequadas de manejo do solo e adoção de uma agricultura sem fogo. 

“A busca por cultivares de mandioca cada vez mais produtivas é uma prática constante entre os produtores acreanos. No entanto, para se obter sucesso com uma nova variedade e recomendá-la para o cultivo é preciso conhecer o desempenho do material na região. Assim, podemos oferecer informações a partir do ponto de vista científico”, pondera Celso Bergo, pesquisador da Embrapa Acre.

De acordo com o pesquisador Falberni Costa, outro aspecto a ser considerado é se esse novo material produzirá tão bem quanto o material nativo, sem a necessidade de grandes investimentos em insumos externos à propriedade. “Isso é coerente com a realidade dos agricultores familiares da Amazônia”, acrescenta.

 

Cultivares avaliadas

O estudo “Desempenho de Genótipos de Mandioca no Baixo Acre e Juruá” comparou o comportamento de diferentes variedades em relação ao teor de amido e produtividade das raízes. Um experimento instalado no Campo Experimental da Embrapa, em Rio Branco, avaliou cinco cultivares de mandioca tradicionalmente utilizadas por produtores rurais acreanos: Paxiubão e Pirarucu (plantadas na regional do Baixo Acre) e Chico Anjo, Mansibraba e Caboquinha (cultivadas no Vale do Juruá), e uma variedade recomendada pela Embrapa para cultivo na regional do Baixo Acre, a BRS Ribeirinha. Outro experimento, conduzido no município de Mâncio Lima, na regional do Vale do Juruá, acompanhou o desempenho das cultivares Mansibraba e Branquinha, além da BRS Ribeirinha, única cultivar avaliada nas duas regionais. 

Desempenho em campo

De acordo com Bergo, as medições de produtividade das cultivares BRS Ribeirinha e Pirarucu, em Rio Branco, foram 23 e 25 toneladas por hectare, quando cultivadas sem correção e adubação do solo, resultado superior à produtividade das cultivares plantadas no Juruá: Chico Anjo (17 toneladas por hectare), Mansibraba (18 toneladas por hectare) e Caboquinha (21 toneladas por hectare).

Em Mâncio Lima, a cultivar BRS Ribeirinha, plantada em solo com baixa fertilidade – sem correção e adubação – foi a que menos produziu (6 toneladas de raízes/hectare), desempenho inferior ao obtido pelas cultivares Branquinha e Mansibraba, com 10 e 19 toneladas por hectare, respectivamente. Nesse mesmo experimento, após correção do solo e adubação, houve aumento significativo na produtividade das três cultivares testadas, com respostas mais expressivas para a Branquinha e BRS Ribeirinha.

“O uso da adubação proporcionou acréscimos de 90% na produtividade da cultivar Branquinha, passando de 10 para 19 toneladas por hectare. Também constatamos um aumento expressivo de 267% para a BRS Ribeirinha, que saltou de 6 para 22 toneladas por hectare. Já a produtividade da Mansibraba em solo corrigido e adubado foi menor, em comparação com os demais genótipos, apresentando 26% de aumento comparativamente ao tratamento sem uso de insumos”, acrescenta o pesquisador.

Ele destaca que chama a atenção o fato de que esta cultivar, mesmo sem o uso de adução, produziu 19 toneladas por hectare, produtividade igual à alcançada pela Branquinha em solo adubado. Em relação ao teor de amido, de acordo com o estudo, não se identificou diferença significativa entre as cultivares avaliadas. Em Rio Branco, a média foi de 29% e em Mâncio Lima ficou em 31% e 33% sem e com correção e adubação, respectivamente.

O analista Daniel Lambertucci, supervisor do setor de Transferência de Tecnologias da Embrapa no Juruá, acredita que o resultado da pesquisa, aliado às ações de transferência de tecnologias em andamento na região, pode apoiar a tomada de decisão de produtores rurais quanto ao modelo de cultivo a ser adotado. “Se o agricultor faz cultivo tradicional o indicado é que utilize os genótipos já plantados na região e que respondem muito bem. Mas, se optar pelo cultivo com uso de tecnologias e insumos, o ideal é que busque variedades (genótipos) que apresentam melhor produtividade para garantir que o investimento tenha retorno satisfatório”, recomenda. 

 

Experiência de agricultores 

Para o agricultor Rosemir de Queiroz Pinheiro, morador de Mâncio Lima e parceiro na pesquisa, é importante observar as características de cada variedade de mandioca. Desde criança ele trabalha com a produção de farinha, por isso tem experiência para falar das variedades mais produtivas. “É preciso ter cuidado na escolha porque algumas têm mais casca, outras apresentam mais água e outras não dão farinha boa. Para produzir uma boa farinha, aqui no Juruá temos a Branquinha, a Chico Anjo, Mansibraba, Caboquinha, Curimã e Santa Maria”, reforça.

Com relação à BRS Ribeirinha, cultivar em processo de validação, o agricultor pondera que embora o desempenho em solo sem adubação seja inferior ao de cultivares tradicionais da região, o resultado com o uso do descascamento mecanizado surpreendeu. “Essa cultivar da Embrapa é ideal para descascar com a máquina. As raízes são praticamente iguais e isso facilita o descascamento mecânico e reduz perdas. Mesmo com uma produção menor, a gente ganha com a mecanização porque essa mandioca quase não tem falhas. Tive um ótimo proveito”, explica.

A agricultora Graciete de Souza Oliveira conta que aos 10 anos de idade já ajudava o pai nas atividades agrícolas e, hoje, com 58 anos, tem uma longa história com as manivas. “Sempre plantei mandioca para fazer farinha e tirar o sustento da minha família. Por isso, costumo dizer que o segredo de uma boa colheita é escolher bem as manivas. A Branquinha e a Mansibraba já foram testadas pela Embrapa e mostraram que são boas mesmo! Fiquei feliz de saber porque vi que fiz a escolha certa”, afirma. 

Parentesco entre as manivas

In natura, em forma de farinha, fécula, polvilho e até tapioca, a mandioca – também chamada de macaxeira pelos acreanos – está presente no cardápio dos brasileiros nas diversas regiões do país. Considerada uma cultura importante para garantir a segurança alimentar dos agricultores familiares, a seleção de cultivares adaptadas às regiões acreanas está entre as estratégias da pesquisa para elevar o rendimento dos cultivos e incentivar a expansão da mandiocultura no Acre.

Outros estudos realizados pela Embrapa Acre sugerem que embora as etnovariedades recebam nomes diferenciados conforme a localidade onde são utilizadas, grande parte dos materiais apresenta muita semelhança, ou seja, possui um grau de parentesco bem próximo. “Por isso, a identificação, recomendação e disseminação de novos materiais genéticos de mandioca requer estudos mais detalhados. Nesse processo, a parceria com os agricultores tem sido fundamental por contribuir tanto com as pesquisas como para a manutenção de diversos genótipos ao longo dos anos”, ressalta Bergo.

Para Falberni Costa, mesmo considerando essas semelhanças, os resultados obtidos chamam a atenção para a importância da interação genótipo-ambiente. “Portanto, é necessário precaução na sua interpretação, em que pesem as diferenças de solo e clima nas distintas regiões do Acre, e relacionadas ao tempo em que ocorreram os testes de campo”, alerta Costa. 

Confira na íntegra os resultados da pesquisa

A publicação Desempenho de Genótipos de Mandioca no Baixo Acre e Juruá“, de autoria dos pesquisadores Celso Luís Bergo, Falberni de Souza Costa e dos analistas Lauro Saraiva Lessa e Daniel Lambertucci, traz resultados detalhados do estudo realizado pela Embrapa. 

 

A pesquisa faz parte do projeto Mandiotec, componente do Projeto Integrado da Amazônia, financiado pelo Fundo Amazônia e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente, iniciativa que tem como desafio promover o fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca na região do Juruá, para aumento da renda e promoção da qualidade de vida das famílias rurais.

A história do seu Rosemir e da dona Graciete também pode ser conferida na nona edição da Revista do Projeto Integrado da Amazônia, publicação que divulga as ações da Embrapa na região, com o apoio do Fundo Amazônia/BNDES. Para acessar a revista eletrônica, clique aqui.



Fonte: Embrapa