‘Nosso segredo’: Apex-Brasil inova para vender produtos brasileiros na Rússia em tempos de pandemia

Entre os dias 12 e 16 de abril, Moscou sedia a feira internacional do setor de alimentos Prodexpo, que contou com a participação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O setor exportador brasileiro tenta recuperar alguns nichos tradicionais do seu comércio com a Rússia, para diminuir o déficit na balança comercial com os russos.

A pandemia, no entanto, não facilitou o trabalho do escritório da Apex-Brasil em Moscou, liderado pelo seu diretor, Almir Ribeiro Américo. 

“A pandemia trouxe restrição de oportunidades de promoção comercial, com feiras canceladas e viagens interrompidas […] não é fácil”, disse Américo à Sputnik Brasil.

A Apex-Brasil teve que repensar um de seus principais modelos de trabalho, que era “compensar a ausência dos empresários brasileiros na Rússia levando os empresários russos para o Brasil”.

“Na pandemia, tivemos que optar pelo formato on-line”, contou Américo. “E até para isso a gente precisou se adaptar, porque os russos tinham uma certa resistência.”

Expositor apresenta amostra de chá durante a feira de alimentos e bebidas Prodexpo, em Moscou, Rússia

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Sputnik / Yevgeny Odinokov
Expositor apresenta amostra de chá durante a feira de alimentos e bebidas Prodexpo, em Moscou, Rússia

Para aproximar empresários russos e brasileiros, a agência precisou “usar a criatividade”.

“Os eventos on-line estão se proliferando porque são baratos, fáceis e não demandam viagens. Mas percebemos que só conseguiríamos resultados se fizéssemos algo com um diferencial de qualidade”, relatou. “Pra isso aplicamos um pequeno segredo nosso.”

Segundo ele, “o evento tem que ser interessante tanto para o lado brasileiro quanto para o lado russo”, e que teve acesso a informações sobre seu potencial parceiro antes do encontro virtual.

Tâmaras israelenses são oferecidas por expositor na feira de alimentos e bebidas Prodexpo, em Moscou, Rússia

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Sputnik / Kirill Kalininkov
Tâmaras israelenses são oferecidas por expositor na feira de alimentos e bebidas Prodexpo, em Moscou, Rússia

“É essencial providenciamos muita informação: fizemos hotsites, catálogos virtuais em russo”, conta o diretor.

“Outro aspecto é a flexibilidade. Em uma feira, o empresário tem quatro dias para se encontrar com todo mundo. Mas em um evento on-line não tem sentido você limitar o evento a um período muito breve”, considerou.

Outro fator fundamental é a contratação de tradutores russo-português, para garantir que os encontros on-line sejam produtivos.

“A Rússia e o Brasil são parecidos nesse aspecto: se você pergunta para um russo se ele fala inglês, ele vai falar que se vira. Mas no momento da reunião, as coisas podem não ir tão bem assim”, contou Américo.

Vegetais conservados ao estilo russo em stand na feira de alimentos e bebidas Prodexpo, em Moscou, Rússia

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Sputnik / Maksim Blinov
Vegetais conservados ao estilo russo em stand na feira de alimentos e bebidas Prodexpo, em Moscou, Rússia

Desde o início de 2020, a Apex-Brasil realizou 87 reuniões nesse formato, entre empresários de diversos setores, com destaque para autopeças e equipamentos agrícolas.

“Esse foi o segredo nosso, que demandou muito trabalho, mas que nos premiou com resultados maravilhosos”, comemorou Américo.

“Só no setor de equipamentos agrícolas, tivemos vendas concretas declaradas pelos próprios participantes num volume de cerca de US$ 700 mil [cerca de R$ 3 milhões] no primeiro evento, e a promessa de negócios nos próximos 12 meses superiores a US$ 2 milhões [cerca de R$16 milhões]”, disse Américo.

Feira comercial

Apesar de o formato on-line prometer sobreviver à pandemia de COVID-19, existem muitos setores nos quais o comprador prefere entrar em contato com o produto, antes de fechar o negócio.

O setor de alimentos demanda essa proximidade, e por isso o Brasil optou por montar um stand na feira Prodexpo de Moscou.

“Apesar de o Brasil estar representado neste ano na Prodexpo em um formato compacto, praticamente sem empresários brasileiros, por causa das restrições de viagens, a decisão de montar o stand brasileiro foi estratégica”, disse Américo. 

A Prodexpo é a maior feira de alimentos e bebidas do Leste Europeu. Neste ano, ela contou com a presença de cerca de três mil empresas e 70 países participantes.

Visitante prova vinho durante degustação na feira de alimentos e bebidas Prodexpo, em Moscou, Rússia

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Sputnik / Yevgeny Odinokov
Visitante prova vinho durante degustação na feira de alimentos e bebidas Prodexpo, em Moscou, Rússia

Apesar do bom desempenho da feira em meio à pandemia, alguns concorrentes do Brasil não enviaram representação, em função das restrições de viagens.

Segundo Américo, “os concorrentes do Brasil não vieram: nem os argentinos e os paraguaios, nem vários países europeus”.

“É a Prodexpo mais russa que tivemos, com russos vendendo para russos”, concedeu o diretor da Apex-Brasil. “Então nosso stand virou um hub internacional.”

Prédios comerciais na região de Moscow City, em Moscou, Rússia (foto de arquivo)

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Sputnik / Sergei Guneev
Prédios comerciais na região de Moscow City, em Moscou, Rússia (foto de arquivo)

Mais de 120 cidades e regiões russas trouxeram seus produtos para o evento, que contou com stands de empresas que aos poucos tomam o lugar dos exportadores, principalmente em setores tradicionais como a carne.

“O Brasil é um dos poucos heroicos países que trouxe as cores verde e amarela que, apesar de todos os problemas, atraíram muitos visitantes russos por aqui”, disse Américo.

Entre os dias 12 e 16 de abril, a feira de alimentos e bebidas Prodexpo é realizada em Moscou, com participação da Apex-Brasil. A Embaixada do Brasil em Moscou também marcou presença, com a visita do embaixador na cerimônia de abertura do evento.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Fonte: Sputnik News