MCTI: aproveitamento energético de resíduos agrícolas e agroindústria e fogões solares encerram ciclo de webinários

Com a apresentação dos dois Planos de Ação Tecnológica para aproveitamento de resíduos agrícolas e agroindustriais e adoção de fogões com indução acoplados a sistemas fotovoltaicos em edificações, na quarta-feira (16/12), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) encerrou o circuito de webinários “Contribuição de tecnologias de baixo carbono para o desenvolvimento sustentável”. Desde outubro, a pasta detalhou 12 planos que consideram tecnologias prioritárias para desenvolvimento e difusão no País até 2030. Os planos apresentados neste último evento objetivam demonstrar soluções tecnológicas que promovem o acesso a fontes modernas de energia nos setores de resíduos e de edificações residenciais, comerciais, industriais, públicas e de serviços.

De acordo com o coordenador técnico dos Planos de Ação, Régis Rathmann, os planos apresentam ações concretas para maior difusão da geração de energia a partir de fontes renováveis no Brasil. “O desenvolvimento das ações tecnológicas possui o potencial de garantir acesso a fontes modernas de energia em regiões remotas que não possuem acesso à eletricidade do Sistema Interligado Nacional ou que utilizam, tradicionalmente, a lenha para a cocção de alimentos”, analisa o coordenador.

Segundo Rathmann, a aplicação de fogões solares possui forte impacto em termos de geração de renda e empregos. O uso do equipamento libera os usuários para exercerem atividades remuneradas no período anteriormente empregado na coleta de lenha, substitui o consumo de gás de cozinha e incentiva a criação de empresas locais voltadas à instalação e manutenção dos painéis fotovoltaicos e fogões solares.

Em relação ao uso de resíduos como fonte de energia, o coordenador aponta que os principais desafios identificados para incentivar a produção estão associados à sazonalidade e à codigestão de diferentes matérias-primas agrícolas e agroindustriais, que é o processo utilizado para a produção do biogás. A geração de eletricidade para cocção de alimentos a partir de painéis fotovoltaicos possui componentes amplamente disponíveis no mercado.

Para Rathmann, o desafio é integrá-los, demonstrar sua funcionalidade e difundir sua aplicação com baixo custo para regiões de tradicionalmente utilizam a lenha como principal fonte de energia, como é o caso da região do semiárido nordestino.

Aproveitamento de resíduos agrícolas e agroindustriais – O emprego do processo de codigestão permite o aproveitamento do elevado potencial energético dos resíduos agropecuários para produção de biogás. Dessa forma, a difusão do processo possui grande potencial de contribuir para o objetivo do programa Renovabio em termos do aumento da participação de biocombustíveis na matriz energética brasileira.

O RenovaBio é uma política de Estado que reconhece o papel estratégico de todos os biocombustíveis, incluindo o biogás, na matriz energética brasileira no que se refere à sua contribuição para a segurança energética, a previsibilidade do mercado e a mitigação de emissões dos gases causadores do efeito estufa.

O coordenador da equipe responsável pela elaboração dos Planos de Ação, professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), Pedro Rochedo, apresentou o plano que propõe a aplicação piloto de plantas de co-digestão para a produção de biogás em sistema de integração lavoura-pecuária-florestas (iLPF) e em sistemas de rotação de culturas agrícolas.

“O objetivo do plano é estabelecer as etapas a serem percorridas para a implantação de plantas-piloto de co-digestão, possibilitando sua aplicação em localidades com elevada disponibilidade e complementaridade de matéria-prima agrícola e agroindustriais”, pontuou.

O plano estimou que são necessários cerca de R$ 4 milhões de investimento nos próximos oito anos para implementar as três ações do Plano, que abrangem a caracterização do potencial de oferta de matéria-prima para a co-digestão; pesquisa experimental para pré-tratamento e composições dos substratos; e implementação e disseminação dos resultados das plantas piloto em sistemas de iLPF e rotação de culturas.

Fogões solares fotovoltaicos com indução – O plano propõe o desenvolvimento de protótipo e aplicação piloto de fogões solares com indução em edificações domiciliares localizadas em regiões com elevado índice de cocção a partir de biomassa tradicional.

Segundo o professor Rochedo, fogões solares por indução acoplados a baterias alimentadas por placas fotovoltaicas são fontes limpas e eficientes de energia para cocção e que podem ser utilizadas em períodos onde não há disponibilidade do recurso solar.

“O fogão solar fotovoltaico foi selecionado como uma alternativa inovadora para o setor de edificações, pois possibilita a utilização de energia renovável para cocção em substituição à lenha, garantindo a eficiência e autonomia dos domicílios em termos de demanda de energia”, destacou.

Para alcançar benefícios adicionais de melhoria na saúde e redução nos gastos públicos com problemas respiratórios, mitigação de emissões e acesso a energia de baixo custo em regiões com alto índice de lenha utilizada na cocção doméstica, como é o caso do semiárido nordestino, são necessários R$ 3 milhões de investimento até 2030.

Sobre o projeto – O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e parceiros técnicos, elaborou Planos de Ação Tecnológica que permitirão alavancar o desenvolvimento e a difusão de tecnologias mitigadoras de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e promoverão o desenvolvimento sustentável no país.

A iniciativa foi desenvolvida no âmbito do projeto “Avaliação das Necessidades Tecnológicas para Implementação de Planos de Ação Climática no Brasil (TNA_BRAZIL)”, que conta com financiamento do Green Climate Fund (GCF).

O GCF é um mecanismo financeiro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) que se destina a canalizar financiamento climático para os países em desenvolvimento para apoiar atividades de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Por sua vez, reportes de TNA são uma obrigatoriedade dos países no âmbito do mecanismo tecnológico da Convenção, do qual o MCTI é a Entidade Nacional Designada.

Desde outubro, os webinários semanais detalharam 12 planos. Conheça melhor cada uma das ações propostas:

https://www.youtube.com/watch?v=Q0k-bQRJp_E&list=PLa8HqSGatmeQOU1Yh7bmgkWnWM6f5Nn1g 

Uso de etanol em veículos elétricos e híbridos para descarbonizar transporte

Criação de redes de tecnologia para democratizar acesso à agricultura de precisão e fomentar indústria 4.0

Silvicultura e melhoramento genético de espécies nativas para restauração ambiental

Produção sustentável de cimento e geração de energia solar fotovoltaica em reservatórios

Melhoramento genético da pecuária de corte e monitoramento por satélite do uso da terra

Confira informações detalhadas do projeto aqui.

 



Fonte: MCTI