Green Rio: ArticulaFito participa de evento sobre bioeconomia

Novos modelos de produção e consumo, alinhados ao desenvolvimento sustentável, estão em pauta essa semana em evento internacional que acontece em formato híbrido no Rio de Janeiro. De 25 a 27 de novembro, a Green Rio reúne pesquisadores, representantes de órgãos governamentais, da indústria e do comércio para discutir o papel das cooperativas da Amazônia na bioeconomia. O projeto ArticulaFito – Cadeias de Valor em Plantas Medicinais, iniciativa conjunta da Fiocruz e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), traz agricultores e extrativistas para participar do debate. São agricultores familiares, representantes de povos indígenas e comunidades tradicionais, como quebradeiras de coco e quilombolas, que estão na base produtiva de plantas medicinais do país.

“É importante redimensionar o valor de um produto desde o seu cultivo até o consumo. Na perspectiva de um comércio justo, é preciso considerar o valor do trabalho de agricultores e extrativistas que estão na base produtiva e detêm os saberes e práticas de cultivo e manejo de plantas medicinais e produtos da sociobiodiversidade. Essas práticas produtivas estão em harmonia com a natureza e o aproveitamento dos seus recursos é feito com responsabilidade, com o compromisso de manter a floresta em pé. Assim, contribuem para a preservação e conservação dos ecossistemas, promovendo a saúde e o bem viver nos biomas e seus territórios”, explica a pesquisadora Joseane Costa, coordenadora técnica e executiva do ArticulaFito, que é professora da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

O projeto ArticulaFito é o maior diagnóstico já realizado no Brasil sobre o potencial produtivo de  plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias. O mapeamento foi realizado por meio da metodologia ValueLinks-B, desenvolvida pela Agência de Cooperação Técnica Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), que considera os padrões  sociais, ambientais e legais de uma cadeia produtiva. “Mapeamos 26 cadeias de valor que geram produtos com potencial para mercados diferenciados, públicos e privados. Agora, trabalhamos para qualificar e fortalecer esses empreendimentos da sociobiodiversidade, a fim de promover a inclusão produtiva, a geração de renda, a equidade de gênero, o desenvolvimento local, a saúde e a qualidade de vida nesses territórios.  A articulação proporcionada pela Green Rio é estratégica nesse sentido”, conta Joseane, que participará do painel Biodiversidade e Saúde Planetária no sábado (27/11), às 14h.

Fiocruz e Mapa estarão com estandes na Green Rio. “Nesses espaços, os visitantes poderão participar de rodas de conversa e minicursos promovidos pelo ArticulaFito, além de conhecer as plantas medicinais e alguns dos 26 produtos mapeados pelo projeto com potencial para mercados diferenciados públicos e privados, como o óleo extravirgem e a farinha de babaçu, o repelente de andiroba, a hortaliça e a cachaça de jambu e a cera de carnaúba”, convida Joseane.

Junto ao ArticulaFito, participam da Green Rio 2021:

Dona Cledeneuza de Oliveira, quebradeira de coco, integrante da cadeia de valor do óleo extravirgem e farinha de babaçu, mapeada pelo ArticulaFito no Pará (bioma Amazônia)

Suena Nascimento, presidenta do Grupo de Trabalhadoras Artesanais e Extrativistas (GTAE), integrante da cadeia de valor de repelente de andiroba, mapeada pelo ArticulaFito no Pará (bioma Amazônia)

Antonio Waldeir, agricultor familiar integrante da cadeia de valor da hortaliça de jambu e cachaça de jambu, mapeada pelo ArticulaFito no Pará (bioma Amazônia)

Dario Gaspar Nepomuceno, extrativista, idealizador da ONG Carnaúba Viva e integrante da cadeia de valor da cera de carnaúba, mapeada pelo ArticulaFito no Rio Grande do Norte (bioma Caatinga)

ArticulaFito

O projeto ArticulaFito – Cadeias de Valor em Plantas Medicinais promove a qualificação de produtos oriundos de plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias, por meio de uma rede de prestação de serviços especializados, como estratégia de inclusão produtiva e de promoção da qualidade de vida de agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais. Oriundos de cadeias de valor em plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias nos biomas Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado, nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste do país.

O objetivo é adequar os empreendimentos às boas práticas de cultivo e manejo e à legislação fitossanitária vigente, para que possam acessar com segurança mercados diferenciados e justos, pautados em valores como a equidade de gênero, em conhecimentos tradicionais, na conservação e no uso sustentável da biodiversidade e, consequentemente, para a promoção da saúde humana e dos ecossistemas. A iniciativa é fruto de ação conjunta da Fiocruz com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Green Rio

A Green Rio teve sua primeira edição em 2012, quando foi um side-event da Rio+20. Ao longo desses oito anos, o evento se firmou como plataforma de negócios sustentáveis que reúne expositores, palestrantes e representantes da economia verde e do setor orgânico. 

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz

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