Erù-Iyá: Mucane apresenta projeto que envolve artes visuais com oralidades

Divulgação Semc

Projeto “Erù-Iyá” reúne mulheres negras que trabalham assumindo fundamentos antirracistas em diferentes campos de conhecimento (Ampliar imagem)

Muito mais do que uma simples exposição, o Museu Capixaba do Negro “Veronica da Pas” (Mucane) exibe, a partir da próxima sexta-feira (16), às 16 horas, o projeto de artes visuais e oralidades “Erù-Iyá: movimentos antirracistas”.

A ação, que também contempla um podcast, três rodas de conversas e um encontro com professores, fica no Mucane até o dia 19 de setembro.

Erù-Iyá reúne mulheres negras que trabalham assumindo fundamentos antirracistas em diferentes campos de conhecimento. Quem visitar o Mucane terá contato direto com diálogos entre arte contemporânea, cultura visual, feminismo negro, educação, saúde física e mental, oralidade, literatura, ancestralidade, candomblé, umbanda e maternidades negras.

De acordo com a idealizadora e coordenadora do projeto, Mara Pereira, que é produtora cultural, mestre em artes visuais e doutoranda em Educação, um dos objetivos da atividade é debater sobre possibilidades de caminhos do “cuidado-cura” individuais e coletivos frente ao sofrimento psíquico gerado pelo racismo desde as infâncias.

Interligação

“O projeto compreende que a arte contemporânea é um campo aberto ao cruzamento de diferentes áreas de conhecimento e que essas estão interligadas, fazendo parte de um único organismo social, que, mesmo comumente abordadas separadamente na sociedade. Interessa ao projeto tratá-las atravessadas e por perspectivas antirracistas”, afirma a idealizadora.

“Do santinho da Anastácia livre da máscara, clínica da macumbaria, benzimentos, lutas quilombolas e movimento feminista negro, subvertem-se estruturas sociais desiguais e violentas em um campo expandido das relações sociais, da arte, da cultura e da educação. A presença e a representação de corpos pretos e femininos que falam, escrevem e criam em contextos instituídos como brancos, masculinos, heteronormativos em alguma medida geram cura”, complementou Mara.

A origem do nome

Erù-Iyá, em iorubá, é a saudação às espumas e ondas geradas no encontro das águas do rio com as águas do mar. Nas umbandas e nos candomblés, é Iemanjá, é água de rio que deságua no mar. É a cabocla Iara, o encontro de Oxum (rios, cachoeiras, riachos) e Iemanjá (mares).

“Quem visitar Erù-Iyá terá contato com ondas como impulsos de transformações. Encontros de águas com movimentos ora sutis, ora revoltos, assim como nossas estratégias de resistência nos movimentos sociais, culturais, artísticos e educacionais antirracistas”, explica Pereira.

“Oxum é filha de Oxalá com Iemanjá. Mães d’águas. Lavam, limpam, cuidam das nossas emoções e estão presentes no (auto)cuidado e na (auto)cura. O projeto trata da nossa cura psíquica, emocional e também física. Da nossa coragem para resistirmos e nos mantermos vivas”, finaliza.

Encontro

A mostra reúne obras dos artistas Kika Carvalho, Castiel Vitorino Brasileiro e Yhuri Cruz, além de 14 vozes de mulheres negras do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia.

Funcionamento e cuidados

“Erù-Iyá: movimentos antirracistas” estará aberta para visitação a partir da próxima sexta-feira (16) e funcionará de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas, e aos sábados, das 10 às 14 horas. A entrada é franca e a classificação é livre.

Em virtude do período de pandemia, o espaço comporta até 15 visitantes por vez. O agendamento não é obrigatório, porém, principalmente em casos de pequenos grupos, recomenda-se realizar reserva, por meio do e-mail mucane.educativo@gmail.com.

Em seu interior, o uso da máscara é obrigatório, bem como o uso de álcool em gel. Os visitantes também passam por aferição de temperatura.

Parceria

Essa exposição é uma parceria de uso de espaço. O projeto está contemplado pelo edital nº 034/2019: Seleção de Projetos Culturais Setoriais de Artes Visuais, da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult).

Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória.

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