Encontro “O desafio é transferir os sonhos para fora da nossa cabeça”, diz Emicida na Feira do Empreendedor Autor: Redação Data: 25/10/2021 Resumo: Somente nos dois primeiros dias do evento, mais de 30 mil pessoas passaram pelos espaços virtuais da Feira, que realizou mais de 62 mil atendimentos

Somente nos dois primeiros dias do evento, mais de 30 mil pessoas passaram pelos espaços virtuais da Feira, que realizou mais de 62 mil atendimentos

Leandro Roque de Oliveira, mais conhecido com Emicida, foi o grande destaque do terceiro dia da Feira do Empreendedor 2021. O artista que é rapper, cantor, produtor, letrista, compositor e designer de moda, é um dos criadores da produtora Laboratório Fantasma, empresa responsável por transformar em realidade as ideias que saem da sua cabeça criativa. Em um bate-papo, na tarde desta segunda-feira (25), ele conversou com os visitantes da Arena do Conhecimento sobre a sua trajetória como empreendedor, sobre seu processo criativo, desigualdade social e construção de redes.

Sobre a sua atividade empreendedora, Emicida diz – citando o escritor Muniz Sodré – que ele tenta olhar o mundo e ver o que ninguém viu. “Muitas vezes, as soluções acontecem assim. Muitas pessoas passaram por caminhos semelhantes aos nossos, mas não conseguiram visualizar as oportunidades que as cercavam”, comenta. “O grande desafio é transferir os sonhos para fora da nossa cabeça. Porque sonhar e imaginar é a parte mais deliciosa. A dedicação para fazer com que o seu sonho exista fora da sua cabeça, vai exigir planejamento, visão”, ressalta o rapper.

A Feira do Empreendedor 2021 é uma iniciativa do Sebrae que está levando, gratuitamente e de modo 100% online, a donos de pequenos negócios e potenciais empresários, a oportunidade de orientação, atendimento, consulta de crédito, network e realização de negócios. Somente até domingo, o evento já contava com mais de 104 mil pessoas inscritas. Os dois primeiros dias do encontro, aberto no sábado, tiveram mais de 30 mil visitantes e contabilizaram mais de 62 mil atendimentos nos diversos serviços oferecidos nas arenas virtuais montadas pelo Sebrae.

Confira os destaques do bate-papo com Emicida:

Como fazer não deixar o sonho de empreender morrer? Como foi o seu começo como empreendedor, quando você começou a vender a primeira mixtape?

O momento que eu me torno empreendedor acontece muito antes de abrir uma empresa. Eu me sinto como uma pessoa que tinha de realizar coisas e a gente se torna empreendedor no caminho desse algo que a gente precisa fazer.
As pessoas ficam muito assustadas com medo de errar. Mas é importante dizer que alguma perda a gente sempre tem. Eu gosto muito da analogia do filme “Amarelo” de plantar, regar e colher a horta… É importante a gente ter em mente que as condições climáticas mudam de um ano para o outro. Vão surgir pragas, coisas fora do previsto que costumam acontecer. Isso é a vida real. O que me manteve nesse caminho foi a sensibilidade, a atenção e a dedicação. A gente não pode perder isso de vista.

O grande desafio é transferir os sonhos para fora da nossa cabeça. Porque sonhar e imaginar é a parte mais deliciosa. A dedicação para fazer com que o seu sonho exista fora da sua cabeça, vai exigir planejamento, visão…

Como o empreendedorismo pode acelerar o processo de redução das desigualdades que é uma marca histórica do Brasil?

Um poema da Elisa Lucinda diz que “Não dá pra gente mudar o começo. Mas, se a gente quiser, consegue mudar o final”. Isso é um chamado para a ação fabuloso. Porque empreender é muito mais que abrir uma empresa. Empreender é realizar uma tarefa.

Muita gente me convida para falar de uma história de sucesso. Mas se a gente não se preocupar com as desigualdades que cercam a gente, cada vez mais a tendência é esse tipo de história se repetir cada vez menos. A gente precisa romper com essa história. E isso acontece quando a gente levanta a nossa cabeça e passa a acreditar no nosso potencial, não só enquanto indivíduo, mas enquanto comunidade.

A estrutura que me impede de brilhar é obsoleta e precisa ser desinventada. Nós já fomos até o limite de onde a gente pode ir com tanta desigualdade. O combate à essa realidade precisa ser um elemento transversal de todas as nossas discussões. Quando a gente brilha, a gente convida o mundo todo a brilhar com a gente…

Você aprendeu muito cedo a trabalhar em redes. Qual a importância de trabalhar desse modo e como criar essas articulações?

Eu acredito que a gente tem de ser bom em fazer redes. Isso não é uma opção. Se vivêssemos cada um em uma ilha distante do outro, a gente não teria essa obrigação. Mas isso não é uma realidade. Principalmente, não no século XXI. Nesse sentido, é importante não só construir redes, mas saber oxigenar as que já existem, para que elas continuem a fazer pontes entre as pessoas.

Às vezes, quando você se entende sozinho, você se sente também desestimulado de correr atrás de uma mudança grande. Agora, essa mudança começa a ser cada vez mais possível quando você começa e pegar as outras pessoas pela mão e cria uma grande corrente. Eu acredito muito que não existe vitória individual. Uma vitória de verdade tem de ser uma vitória coletiva. E isso só acontece com a organização em rede.

Como você diversifica os seus empreendimentos? Você é produtor, compositor… desenha moda. Como nasceu a sua empresa e como você expandiu para essas outras atividades?

Tudo começou com uma mochila e um celular. Esse era o nosso escritório no começo. Em geral a indústria tende a demonizar a pirataria. Eu pensava que a pirataria era algo para se investigar. No momento em que a gente fez a primeira Mixtape, saiu uma notícia (o ano era 2009) dizendo que 8 milhões de pessoas aderem ao produto pirata. A gente percebeu que o preço dos CDs no mercado fonográfico estava se tornando exorbitante e que não era convidativo para a população. Ainda não havia o serviço de streaming.

Quando eu falo sobre essa experiência com a pirataria, eu quero dizer que nós sempre fomos atentos às crises e às oportunidades. Nós, de alguma forma, replicamos o modus operandi da pirataria com produto original. A gente conseguiu, com isso, alcançar o preço final de 2 Reais.

Nós tivemos a percepção de que havia espaço para uma música como a nossa, com uma letra e valores como os nossos. A gente estava fazendo os CDs, mas também já estávamos produzindo camisetas. Mas no primeiro show, a gente não vendeu nenhuma. Fizemos 20 e não vendemos nada. Isso fez a gente voltar e estudar mais sobre o nosso produto. Por que ele não tinha sido convidativo? E foi assim que a gente começou a evoluir, entendendo como se fazia roupa. Eu acredito que a criatividade é a nossa matéria prima. A plataforma na qual a gente vai dispor a nossa criatividade não faz diferença. Se vai ser um CD, um Show, um documentário, um desfile de moda… depois a gente vai ver. O que importa é que a gente é criativo e atento para compartilhar a nossa criatividade com o mundo por alguma janela qualquer. A gente gosta de contar histórias e a gente sabe que contar isso é essencial, principalmente quando você tem um empreendimento.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias.

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