Com base em plano brasileiro, União Internacional de Telecomunicações aprova orientação para políticas de Internet das Coisas

A União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência das Nações Unidas dedicada a normatizar o setor, aprovou no final de maio um documento de referência para ajudar países na implantação de políticas voltadas à Internet das Coisas (IoT). A orientação teve origem a partir da experiência brasileira na criação do Plano Nacional de Internet das Coisas (Decreto 9.854/19), iniciativa que contou com participação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do então Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Intitulado Y.Suppl.68 – Framework for Internet of things ecosystem master plan (Projeto para um plano diretor para o ecossistema de Internet das Coisas, em tradução livre), o documento foi aprovado pela Comissão de Estudos 20 UIT-T e traz linhas gerais sobre o processo nacional de implantação do IoT, como determinação das condições de infraestrutura, privacidade e segurança, assim como a avaliação das áreas de maior interesse de cada país, visão e objetivos.

O coordenador de Inovação Industrial do MCTI, Guilherme Correa, que representou o MCTIC em reuniões da Comissão de Estudo, explica que o plano brasileiro para o IoT começou ainda em 2014 com a criação da Câmara M2M (máquina a máquina), que mais tarde se tornou a Câmara de IoT. O fórum reuniu entidades representativas, setor produtivo, academia e governo para organizar as iniciativas espalhadas pelo país e desenhar um plano nacional para a tecnologia.

O passo seguinte foi a realização de um estudo com participação do BNDES intitulado “Internet das Coisas: Um Plano de Ação para o Brasil”, (https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/conhecimento/pesquisaedados/estudos/estudo-internet-das-coisas-iot/estudo-internet-das-coisas-um-plano-de-acao-para-o-brasil) em parceria com o MCTIC, que promoveu um diagnóstico do IoT no país e definiu os setores prioritários em que a nova tecnologia poderia trazer ganhos ao país.

“A resolução organiza as coisas no sentido de criar uma grande matriz com as horizontais (setores de atuação) e verticais (temas comuns aos setores, como educação, infraestrutura) onde o país tem suas forças e competências, saber onde tem mercado, expertise. A gente ensina como dar notas a esses pontos e criar uma matriz de resultado que vai dizer onde deve haver os investimentos na tecnologia”, afirma Correa.

O estudo apontou quatro áreas prioritárias para o uso em larga escala do IoT no país: Cidades, Saúde, Indústria e Agricultura. Cada um desses setores ganhou uma Câmara 4.0 com participação do MCTI, ministérios, setor privado e academia com o objetivo de promover o diálogo e acelerar a adoção da tecnologia em cada área. A partir de outubro de 2020, o MCTI também lançou a Câmara do Turismo 4.0.



Fonte: MCTI