Agenda Jovem Fiocruz organiza sala de situação inédita sobre rejuvenescimento da pandemia

Os dados são alarmantes: segundo o Observatório Covid-19 Fiocruz, a internação de jovens por conta de complicações com a infecção do Covid-19 cresceu 316,88% nas últimas semanas e a população jovem, de 15 aos 29 anos, ainda aguarda pelos planos de vacinação, sendo apontada como o último segmento na fila de prioridades. Para alertar sobre os riscos reais e montar campanhas de esclarecimento, a Agenda Jovem Fiocruz promoveu (8/4) a primeira sala de situação do Brasil sobre o rejuvenescimento da pandemia. A sala funciona como um centro de monitoramento, com a participação de coletivos, organizações da sociedade civil, nacionais e internacionais, e gestores públicos, como conselhos e secretarias de governo.

As apresentações tiveram início com o médio Valcler Rangel, coordenador de Relações Institucionais da Presidência da Fiocruz, que falou do índice de contaminações, internações e óbitos entre os jovens. Em seguida, Raphael Guimarães, pesquisador da Fiocruz, trouxe dados do Observatório Covid-19 e abordou o assunto na perspectiva epidemiológica. Para concluir o panorama inicial, Helena Abramo, socióloga e pesquisadora sobre juventude, fez uma análise social do contexto, apontando as questões de juventude prévias à pandemia e que foram agravadas com a crise sanitária causada pela Covid-19. 

“É preciso compreender que a condição da juventude na pandemia vai para além das festas. Não tomemos o todo pela parte. A exposição dos jovens no quadro atual se dá por fatores como: cuidado com os mais velhos em casa, necessidade de trabalhar, sendo muitos destes trabalhos precarizados e sem proteção, deslocamentos em transportes públicos lotados, moradias em periferias urbanas sem infraestrutura sanitária. Apesar disso, muitos jovens ainda protagonizam importantes ações de solidariedade”, explica André Sobrinho, coordenador da Agenda Jovem Fiocruz. 

Durante a sala de situação, os participantes relataram sobre as ações que estão sendo adotadas por coletivos, governos, conselhos e instituições em todo o Brasil. Questões envolvendo temas como fome; solidariedade; desigualdade; saúde mental; inevitabilidade do trabalho presencial; adaptações ao trabalho remoto; negacionismo; cobertura estereotipada da mídia surgiram nas diferentes análises. Esse diversidade temática mostra a necessidade do segmento jovem ser contemplado em ações preventivas e fora do quadro reducionista de que o jovem apenas está na “festinha clandestina”, comportamento desviante que não traduz a atuação da maioria. 

Participaram do evento a Ashoka Empreendedores Sociais; o Coletivo Mulheres Negras Decidem; o Conselho Nacional da Juventude; o Conselho Nacional de Saúde; o Fundo de População das Nações Unidas; o Grupo de Institutos Fundações e Empresas; o Instituto Marielle Franco; o Koinonia; o Movimento Periferia Viva; a Oxfam Brasil; a Rede de Juventude Indígena; as Secretarias Municipais de Juventude do Rio de Janeiro e do Recife e a União Nacional do Estudantes.

As salas de situação continuarão em funcionamento nas próximas semanas. A pluralidade de visões pretende alcançar todos os segmentos da juventude até a chegada da vacinação, promovendo análises sobre a prática de medidas preventivas entre os jovens, direito à educação e à alimentação, a valorização da vida e a desconstrução dos estereótipos que desmerecem outros relevantes papéis da juventude no quadro da pandemia.

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz