Sul-africanos oferecem ao Exército Peruano o Mbombe 8×8

Por Roberto Lopes
Especial para o Forças Terrestres

O conglomerado sul-africano Paramount Group ofereceu ao Exército Peruano o seu veículo de combate da Infantaria (IFV na sigla em inglês) Mbombe, carro de tração 8×8 cujo projeto, recentemente, gerou o Barys 8×8 – um veículo mais simples que vem sendo desenvolvido pela Paramount em parceria com a estatal Kazakhstan Engineering Distribution, de Astana, capital do Cazaquistão.

A Força Terrestre do Peru lida, há pelo menos quatro anos, com pesquisas de desempenho, inovação e preço de blindados de exploração e transporte de tropas, que lhe permitam adquirir 178 viaturas para as suas tropas mecanizadas.

O modelo favorito para ser escolhido pelos generais locais é o do Stryker, de 18 toneladas (vazio), fabricado pela General Dynamics canadense – uma viatura cara, mas que não seria importada nova da fábrica, e sim comprada aos estoques de excedentes dos Marines (ou do Exército) dos Estados Unidos.

Guarani – Ainda antes disso, o grupo italiano Iveco S. p. A. ofereceu às tropas mecanizadas peruanas os carros da família Guarani, produzidos em Sete Lagoas, Minas Gerais. Mas os generais do Peru responderam que preferiam uma viatura 8×8 a uma 6×6 – detalhe que também afastou da linha de produção da Iveco outros clientes em potencial, como o Exército argentino.

A opção brasileira por um IFV 6×6 é, até hoje, motivo de divergências e debates no âmbito do Ministério da Defesa, em Brasília.

A Força Terrestre, que, na década de 1990, especificou o veículo, defende sua opção pelo fato de a fabricação do 6×6 ser (a) menos complexa, (b) mais barata, (c) suficiente para a demanda do processo de conversão das tropas brasileiras de Infantaria Motorizada em Infantaria Mecanizada, e (d) o estágio inicial (e natural) de uma família de blindados que, em algum momento, irá se concentrar em carros 8×8.

Nos anos de 2000, um executivo da Iveco italiana que se encontrava em São Paulo, contou a este jornalista que a preocupação dos generais brasileiros com a produção de um Guarani de modelo básico, pouco oneroso, era tanta, que esses chefes militares sequer haviam especificado um blindado com assoalho em “V”, próprio para resistir à detonação de IEDs (sigla de Improvised Explosive Devices, ou Artefatos Explosivos Improvisados), como os usados pelos guerrilheiros do Afeganistão, do Iraque e da Síria para entorpecer o deslocamento de tropas inimigas a bordo de veículos blindados.

Azerbaijão – O Mbombe (denominação genérica de “Guerreiro Africano”), de 16 toneladas (vazio) é definido como um Armoured Fighting Vehicle (Veículo de Combate Blindado) de alta resistência a minas terrestres e alta mobilidade.

Seu preço unitário gira em torno dos 2 milhões de dólares, enquanto o de um Stryker de 2ª mão, modernizado, pode alcançar os 2,6 milhões – comparável ao valor de um tanque principal de batalha M-1A2 (série inicial), usado e pesadíssimo e, por isso, considerado “um trambolho” para ser levado ao campo de batalha.

A 22 de fevereiro passado, o Ministério da Indústria do Cazaquistão divulgou que o Barys 8×8, “filhote do Mbombe”, se encontrava em testes de tiro (que incluíam disparos diurnos e noturnos).

Esses veículos serão equipados com um canhão automático Shipunov 2A42, de 30 mm, e uma metralhadora 7,62 mm, fabricada pela empresa casaque ASELS, em conjunto com a empresa turca Aselsan.

A Paramount também negocia a fabricação conjunta da linha Mbombe na Jordânia – cujo Exército já aceitou o veículo – e no Azerbaijão.

Comunalidade – A família Mbombe de veículos 4×4, 6×6 e 8×8 compartilha mais de 80% dos seus componentes, o que permite não só reduzir custos de fabricação, mas também facilitar o treinamento e a logística.

Este compartilhamento está concentrado nos setores da transmissão automotiva “convencional” ou “on-line”, posicionando o powerpack na frente do veículo e ao longo da linha central.

A plena carga o Mbombe é um carro de 28 toneladas, e carga útil – sistema de armas, munições, tripulações e suprimentos – de nove toneladas. É propulsado por um motor a diesel de 6 cilindros turbo charger, que responde a uma transmissão automática de seis velocidades. O ritmo máximo de deslocamento, em estrada, alcança os 110 km/h.

O raio de ação do blindado é de 800 km. Os sistemas de resfriamento e transmissão foram testados e comprovados em condições de inverno de -55 Celsius e condições do deserto de +55 Celsius.

Internamente há espaço para oito tripulantes. A proteção balística é para STANAG 4569 Nível 3+, e a proteção contra explosão é para STANAG 4569 Níveis 4a e 4b.