Resposta ao Sarmat: como Pentágono pretende fortalecer seu arsenal nuclear?

Nos últimos meses, a divulgação pela Rússia das características táticas e técnicas de vários de seus sistemas estratégicos acabou preocupando seriamente o Ocidente.

Após isso, o secretário de Defesa norte-americano James Mattis intitulou o arsenal russo de “ameaça externa primária para o país” e sublinhou que Washington vai continuar a investir na modernização da tríade estratégica.

O principal armamento terrestre da tríade nuclear americana são seus mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) Minuteman III, que entraram em serviço em 1960. Durante quase meio século, estes mísseis foram modernizados muitas vezes. De acordo com a Casa Branca, esses ICBMs servirão pelo menos até 2030.

Com capacidades relativamente boas, apesar da idade venerável, o Minuteman III é capaz de atingir o alvo a uma distância de até 13 mil quilômetros. Em 2019, serão alocados fundos de US$ 716 bilhões (R$ 47 trilhões) para a modernização do arsenal norte-americano. No entanto, os americanos entendem que é hora de pensar em algo novo.

“Após a apresentação das modernas armas estratégicas em 1º de março deste ano, tornou-se claro que os EUA ficaram atrás de nós”, disse à Sputnik Sergei Sudakov, professor da Academia de Ciências Militares da Rússia.

“Os americanos alocaram imediatamente uma grande quantidade de dinheiro, na esperança de, pelo menos, repetir o nosso desenvolvimento […] Além disso, há evidências de que os americanos estão desenvolvendo ativamente um reator nuclear de miniatura, como no nosso ‘Petrel’, com a intenção de criar uma arma com um alcance de voo praticamente ilimitado.”

O componente aéreo da tríade estratégica americana inclui 20 aeronaves B-2A Spirit e 70 bombardeiros B-52H Stratofortress. Atualmente, existem apenas duas dúzias de Spirits construídos nos anos 90 e programados para durarem outras duas ou três décadas.

A próxima geração de bombardeiros estratégicos da Força Aérea dos EUA deve ser o “invisível” B-21 Raider, que está sendo desenvolvido pela Northrop Grumman e cuja entrada em serviço está prevista par o início de 2025.

No entanto, a situação com o armamento da aviação estratégica americana não é tão boa como parece. O único míssil de cruzeiro com ogiva nuclear no arsenal americano (criado em 1980), é o AGM-86B de 200 quilotons e uma autonomia de voo de cerca de 2500 quilômetros. Porém, Washington está melhorando ativamente sua bomba nuclear B61, cuja principal característica é a estrutura e o sistema de navegação, que torna a bomba mais manejável e mais precisa em voo, permitindo iniciar o ataque a alguma distância do alvo.

O lado mais forte da tríade nuclear dos Estados Unidos são certamente os meios marítimos: 18 submarinos estratégicos da classe Ohio armados com 24 mísseis balísticos Trident I e Trident II. O Trident I tem capacidade de transportar até oito ogivas de 100 quilotons, enquanto o segundo possui ogivas de 475 quilotons.

Os submarinos Ohio são a base das forças americanas de dissuasão estratégica. De acordo com analistas ocidentais, mais de metade de todas as armas nucleares dos EUA se encontram em seus silos de lançamento.

No momento, os Estados Unidos estão desenvolvendo um submarino estratégico do tipo Columbia, programado para ser comissionado em 2031. Está previsto que estes navios permaneçam em serviço até o final do século e substituam completamente o projeto obsoleto Ohio.

“Os americanos têm o segundo arsenal nuclear mais poderoso do mundo, enquanto nós ainda somos os primeiros, e assim continuaremos pelos próximos 5-7 anos”, afirma Sudakov.

“Durante esse tempo, os EUA irão fazer de tudo para acabar ou diminuir essa diferença tecnológica. É necessário entender que, paralelamente a seu desenvolvimento, eles [também] tentarão ativamente nos conter. Na verdade, já fazem isso — não por meios militares, mas por meios econômicos. Aplicam sanções e tecem tramas. Tudo isso com a finalidade de reduzir o ritmo de desenvolvimento das nossas forças armadas em geral e as estratégicas, em particular. Por enquanto, nós estamos em vantagem. O principal é saber usá-la com competência”, concluiu o professor.

FONTE: Sputnik