Iskander contra ameaça marítima: nova arma para combater navios da OTAN

Com alcance de até 500 quilômetros, uma trajetória imprevisível de voo do míssil e altíssima precisão – os analistas ocidentais reconheceram o sistema tático e operacional Iskander-M como uma das mais perigosas armas russas.

Mas esse sistema único não é apenas capaz de atingir alvos terrestres. Recentemente, o sistema foi testado contra alvos marítimos. A Sputnik analisa como o sistema Iskander-M interage com os sistemas de mísseis de defesa costeira Bal e Bastion.

Resposta simétrica

As brigadas de mísseis balísticos táticos Iskander-M estão estacionadas na região de Transbaikal, Extremo Oriente, região de Leningrado e no sul da Rússia. No inverno, em resposta ao reforço do agrupamento militar da OTAN na Polônia e no Báltico, os Iskander foram também instalados na região de Kaliningrado. Na Síria, esse sistema de mísseis balísticos realizou com sucesso ataques de precisão contra alvos dos terroristas.

O sistema operacional e tático Iskander-M (SS-26 Stone, segundo a classificação da OTAN) se destina a atingir alvos de pequena dimensão e áreas – sistemas de mísseis, lançadores de foguetes múltiplos, artilharia de longo alcance, aviões e helicópteros em aeródromos, postos de comando e centros de comunicação a uma distância de até 500 quilômetros. O sistema foi adotado em serviço em 2006.O Iskander-M foi criado como uma arma de alta precisão das forças terrestres para uso em diferentes teatros de operações, a qualquer hora do dia ou da noite, em condições de atividade de sistemas de defesa antimíssil e de guerra eletrônica. Além de um único lançamento, é possível disparar uma salva de dois mísseis. Disparar em “dueto” é uma vantagem importante deste sistema em relação aos sistemas obsoletos Tochka-U e Oka. A preparação para o lançamento pode ser realizada em apenas quatro minutos.

O míssil de combustível sólido de estágio único 9M723 do sistema Iskander-M é fabricado usando a tecnologia stealth. Ele é controlado durante toda sua trajetória de voo, manobrando constantemente. Sua velocidade é de mais de dois mil quilômetros por hora. A ogiva pesa cerca de meia tonelada e está equipada com submunições de fragmentação, cumulativas, perfurantes, incendiárias e outras.

Ameaça para destróieres

Caso seja necessário, o Iskander pode disparar o míssil de cruzeiro de alta precisão R-500 Kalibr. Esta família de munições permite combater não apenas alvos terrestres do inimigo, mas também navios de guerra.

“O míssil Iskander-M tem uma trajetória de voo quase balística, ele atinge qualquer alvo terrestre”, explicou o especialista militar Aleksei Leonkov.

“Mas com os mísseis de cruzeiro do tipo Kalibr, o sistema é reorientado para navios de segundo e terceiro escalão, por exemplo os destróieres norte-americanos Arleigh Burke – portadores de mísseis Tomahawk e de elementos do sistema de defesa antimísseis Aegis. Esses navios, além dos cruzadores da classe Ticonderoga, são as principais plataformas de ataque para o primeiro ataque global incapacitante”, acrescentou.

O alcance do míssil de cruzeiro Kalibr é de até 500 quilômetros. Na fase final, ao se aproximar do alvo, o míssil desenvolve uma velocidade supersônica de até três Machs.

“Ele voa baixo – de cinco a dez metros, então é quase impossível atingi-lo com os meios de defesa antiaérea embarcados. Dependendo do peso da ogiva – de 200 a 500 quilos – os mísseis resolvem tarefas diferentes. Os mais leves são destinados a destróieres, os mais pesados – para cruzadores”, continua Leonkov.

Solução integrada

O Iskander antinavio é um bom complemento dos sistemas de mísseis costeiros. Por exemplo, o míssil balístico Bal tem um alcance menor – até 120 quilômetros. Este sistema móvel equipado com mísseis Kh-35 dispara mísseis individuais ou uma salva de até 32 mísseis com um intervalo não superior a três segundos. Leva apenas 30-40 minutos a recarregar.

O Bastion é uma arma mais pesada. Seus alvos são grupos aeronavais, comboios e navios de grande porte. Ele é equipado com mísseis de cruzeiro supersônicos antinavio Oniks. Esse míssil de três toneladas voa a uma altitude de 14 quilômetros.

Perto do alvo, o míssil Oniks baixa até 10 a 15 metros e produz um impacto esmagador com uma ogiva penetrante de 300 quilos. O míssil, que acelera até 2.600 quilômetros por hora e é ativamente manobrável, é mantido na trajetória pelo sistema de navegação inercial, radioaltímetro e radar de pontaria e telemetria.

“Esta é uma munição da classe pesada projetada para lidar com navios do primeiro escalão. O Bastion pode proteger um litoral com extensão de até 600 quilômetros. E se todos os sistemas de mísseis em serviço forem combinados, é possível obter uma defesa costeira escalonada muito séria. Não devemos esquecer a artilharia costeira, usada em curtas distâncias”, observa Leonkov.

Uma defesa robusta é especialmente importante quando o desembarque na costa é realizado por meio do chamado desembarque anfíbio além do horizonte. Os navios não se aproximam da costa, mas lançam embarcações pequenas e manobráveis a uma distância considerável, que transportam para terra apenas um ou dois veículos blindados e pequenos grupos de fuzileiros navais. Devido ao seu tamanho compacto, velocidade e manobrabilidade, eles são difíceis de serem detectados e ainda mais difíceis de serem destruídos.

Os navios de assalto anfíbio não agem sozinhos – eles têm cobertura de um poderoso grupo de ataque.

“Se lançar ao mesmo tempo mísseis de vários tipos – Oniks, Kh-35 e Kalibr, o inimigo terá muito mais dificuldade em interceptá-los. A defesa costeira adquire flexibilidade e é capaz de se opor a todos os tipos de navios”, conclui Leonkov.

FONTE: Sputnik