Marinha Sul-Africana admite limitações de suas fragatas e submarinos

Ao discursar durante a cerimônia de inauguração da Conferência Sul-Africana de Segurança Marítima, realizada quinta-feira da semana passada (31.05) na Cidade do Cabo, o Comandante da Marinha da África do Sul, vice-almirante Mosiwa Samuel Hlongwane, recomendou que a sua Força reveja as estratégias de aquisição de meios do passado, para colher “de forma inteligente” as lições que vão ajudá-la a se reequipar no futuro.

Na África do Sul, a verba reservada aos gastos com Defesa sofreu, este ano, um corte de 455,76 milhões de dólares (equivalentes a 5,8 bilhões de Rands). A Força Naval enfrenta, em decorrência disso e de outras circunstâncias, um grave déficit orçamentário.

Mesmo assim a corporação obteve dinheiro para a aquisição de uma nova embarcação de pesquisa hidrográfica (Projeto Hotel) e três novos navios de patrulha costeira (Projeto Biro).

O artifício usado para garantir tais aquisições consistiu em vincular essas encomendas aos objetivos mais amplos da chamada Operação Phakisa, destinada a acelerar o aproveitamento dos recursos marítimos e, dessa forma, assegurar o desenvolvimento da Economia Oceânica.

“Precisamos analisar cuidadosamente as futuras oportunidades dessa natureza”, observou Hlongwane, “oportunidades que apoiarão as iniciativas econômicas do governo e, assim, atrairão os fundos e iniciativas necessários para apoiar o programa militar e de Defesa”.

Logística insuficiente – Mas Hlongwane advertiu que seus oficiais devem comparar as diferentes filosofias de aquisição de meios e aprender com o que foi feito no passado.

Ele se referia, especificamente, aos chamados “Pacotes Estratégicos de Defesa de 1999”, que possibilitaram à Armada obter quatro fragatas Meko A200 e três submarinos Tipo 209 – todos de procedência alemã.

As fragatas, explicou Hlongwane, “foram construídas na Alemanha com um design completamente único e revolucionário, incorporando tecnologia sofisticada de propulsão a jato de água… mais da metade das suas suítes de combate foi desenvolvida e construída na África do Sul”, lembrou o oficial.

No entanto, a Marinha da África do Sul acabaria por ter que reconhecer que houve problemas com essas encomendas – questões que podem ser resumidas em apoio logístico inadequado.

De acordo com o almirante Hlongwane, a Força negligenciou a capacidade de reaparelhamento dos submarinos. Não foram adquiridas ferramentas, gabaritos, ou mesmo muito conhecimento ou perícia técnica para modernizar os submersíveis.

O Comandante da Marinha Sul-Africana admitiu: isso foi “decepcionante”, pois eles haviam remodelado com sucesso os submarinos da classe (francesa) Daphne, recebidos pelos sul-africanos na década de 1970.

“Agora”, acrescentou o almirante, “esses lindos Type 209 têm apoio logístico limitado”.

Submarino Type 209 da África do Sul

Até mesmo as fragatas foram adquiridas com apoio logístico muito limitada, incluindo peças de reposição e treinamento.

Hlongwane disse que seus oficiais optaram por deixar para o futuro o financiamento de mais apoio logístico, sobressalentes, equipamentos de suporte e quantidades adicionais de treinamento.

O problema é que o orçamento operacional da Força diminuiu, e tudo o que foi deixado para depois recebeu o impacto dessa falta de prioridade. A capacidade de apoiar os navios contratados, por exemplo, foi severamente reduzida.

A Marinha da África do Sul perdeu parte do pequeno número de militares treinados para dar manutenção nos navios, enquanto a indústria foi pelo mesmo caminho, e pôde só assistir as demissões solicitadas por muitos dos especialistas originalmente envolvidos na produção das suítes de combate.

Embora alguns fundos suplementares tenham sido integrados ao orçamento operacional, com o objetivo de comprar mais logística para os barcos alemães, essa verba vem sendo compartilhada com as necessidades geradas pela introdução, na frota sul-africana, de novas plataformas marítimas sofisticadas.

FONTE: Poder Aéreo