PHM Atlântico chegará ao Rio com os 4 lanchões Mk.5B e vários sensores em uso na Marinha Real

Há navios que delimitam etapas na história de uma Força Naval, por sua capacidade de promover mudanças tecnológicas e ampliar horizontes operacionais.

Foi assim com o navio-aeródromo Minas Gerais – nosso saudoso A11 –, no fim dos anos de 1950, foi assim com as fragatas classe Niterói, na metade final da década de 1970.

E parece que será, também, assim, com o NPHM Atlântico (A140), que dentro de uns dois meses, se estima, estará entrando na Baía da Guanabara.

Até onde se pode apurar dentro de uma Força Armada – ambiente muito mais propício ao segredo do que à Comunicação Social – não há, no que respeita à aquisição do antigo HMS Ocean, o que lamentar.

O Atlântico chegará ao Rio trazendo os seus quatro lanchões tipo LCVP (Landing craft vehicle and personnel) Mk.5B, de 15,7 m de comprimento e 24 toneladas de deslocamento.

Cada um desses barcos é operado por uma tripulação de três militares e pode transportar outros 35 combatentes completamente equipados. A velocidade máxima nominal dessas unidades é de 25 nós (46 km/h) e a autonomia de 390 km (equivalentes a 210 minhas náuticas).

Além dos lanchões virão no porta-helicópteros dois tipos de sistemas radar – um Type 1007 de vigilância de superfície e navegação, e um Type 997 (Artisan 3D) de combate – em pleno uso pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), além do sistema de combate ADAWS 2000L, operacional em alguns dos mais importantes navios da Marinha Real.

Isto é, todo um potencial eletrônico de operações que credencia o Atlântico a ser indicado como o novo Capitânea da Esquadra brasileira.

“Prima pobre” – Já não era sem tempo. Ainda que se deva considerar a MB uma corporação sem perspectivas imediatas de amealhar os recursos que lhe permitiriam operar regularmente longe das costas brasileiras (na África, no Mar Mediterrâneo ou mesmo no Oceano Índico), é preciso que a Força tenha embarcações aptas a, pelo menos, percorrer sem sustos (na propulsão) o litoral brasileiro.

(E fazer isso só com os três patrulheiros classe Amazonas, nossos barcos mais modernos, é, convenhamos, pedir demais.)

Não podemos continuar como nos encontramos atualmente: com uma “Esquadra do Sudeste”, que se exercita no espaço marítimo de Santos (ou Itajaí) até Salvador (ou próximo a Salvador), e a “Esquadra do Norte/Nordeste”, miscelânea “prima pobre” de uns 30 navios onde predominam plataformas muito antigas, que suspendem dos seus atracadouros e cumprem missões à custa da dedicação e do sacrifício dos seus tripulantes.

Navios como o Atlântico, o navio-doca Bahia e um petroleiro de Esquadra classe Wave – recentemente oferecido à Marinha do Brasil – permitirão ao Comando de Operações Navais planejar incursões de maior duração, que voltem a desfraldar a bandeira nacional bem visível no topo do mastro.

“Estado das máquinas muito bom” – A oficialidade brasileira – especialmente a que se encontra hoje na Inglaterra, acompanhando os preparativos no Atlântico – se mostra orgulhosa da sua nova unidade.

A reportagem do Poder Naval conversou com um desses militares que estão no Reino Unido, fiscalizando os trabalhos a bordo do porta-helicópteros. Eis um breve resumo do que ele pôde constatar:

“O navio se encontra em ótimas condições. As obras vivas e mortas estão muito bem conservadas, não apresentando qualquer desgaste significativo.

O Sistema de Propulsão vem sendo integralmente revisado. O estado geral das máquinas é muito bom.

O navio será pintado em partes externas e internas”.

Quanto aos sensores e equipamentos mantidos na unidade após a sua venda ao Brasil é possível listar:

Sistema de Combate ADAWS 2000L – Equipamento da BAE Systems que controla e sugere o uso dos diferentes armamentos armamentos a bordo. Quase não há detalhes sobre o ADAWS 2000 L, cujo funcionamento é protegido por rigorosa confidencialidade.

Radares Type 1007 – A família de radares navais Kelvin Hughes Type 1007 é um conjunto de sistemas de alerta de superfície de alta definição e de auxílio à navegação, hoje amplamente aceitos na Marinha Real e em várias outras forças navais.

Estão disponíveis com uma grande variedade de antenas, transmissores/receptores de banda I e de banda F, além de diversos monitores. Potência de transmissão: 25 kW.

Um sistema de monitoramento integrado verifica se o equipamento está operando com desempenho máximo. O circuito de controle de emissão, centralizado, permite que o comando iniba a transmissão imediatamente.

O conjunto de radares Type 1007 possui um Color Tactical Display (CTD): visor de navegação altamente capaz, com uma ampla seleção de situações operacionais /táticas.

Ele é capaz de fazer o acompanhamento integrado de até 50 alvos rastreados automaticamente, e de 20 alvos rastreados manualmente.

Outras características do complexo Type 1007:

  • Mapeamento abrangente com memória para 200 mapas, além de mapas externos ilimitados;
  • Capacidade de orientar sistemas de armas;
  • Produção de gráficos de trajeto de pouso para helicóptero; e
  • Modo de simulação que permite o treinamento dos operadores dos radares no mar ou no porto

O CTD dá ao operador uma imagem tática de cor nítida e clara a mais de 300 km de distância, com a capacidade de rotular faixas com nomes ou números de embarcações. Uma simbologia específica e cores previamente escolhidas são usadas para indicar “hostil” ou “amigável”, “neutro”, “desconhecido”, ou até se o objeto em movimento é um vetor ar/superfície ou sub/superfície.

Radar Artisan – A MB conseguiu reter no Atlântico o radar tridimensional de vigilância aérea e de superfície Artisan (Advanced Radar Target Indication Situational Awareness and Navigation), também conhecido como Type 997. Mas não se sabe se, por exigência dos ingleses, foi preciso degradar a funcionalidade do aparelho.

O Artisan é um equipamento BAE Systems para varreduras até 110 milhas náuticas (ou 203,72 km).

Ele (1) provê controle de tráfego aéreo extensivo e identificação dos alvos, assim como a visualização tática a médio alcance, (2) suporta o monitoramento simultâneo de mais de 900 alvos, e (3) faz esse trabalho com boa resistência aos mais complexos jammers conhecidos internacionalmente.

Por Roberto Lopes
Especial para o Poder Naval