NPHM Atlântico e NDM Bahia podem favorecer diplomacia militar

Militares da Marinha do Brasil (MB) e do Ministério da Defesa começaram a, de maneira ainda informal, trocar informações e sugestões sobre o aproveitamento do NPHM Atlântico (ex-HMS Ocean) e do NDM Bahia em ações de cooperação com forças navais estrangeiras.

Missões de treinamentos dessa natureza vão consolidar a proeminência da Esquadra brasileira no Atlântico Sul e, forçosamente, estimular a diplomacia militar.

Nos últimos dez anos a presença já rarefeita de navios brasileiros no Mar do Caribe diminuiu ainda mais.

Hoje em dia, apenas dois navios-patrulha do Grupamento de Patrulha Naval do Norte (normalmente um classe Bracuí e um classe Grajaú), sediado em Belém, realizam, anualmente, uma incursão a águas jurisdicionais das Guianas (a visitação a portos venezuelanos foi descontinuada, em função da crise no país vizinho).

Atualmente, a futura exploração dos préstimos do porta-helicópteros comprado na Inglaterra enseja avaliações formuladas no Estado-Maior da Armada e no Comando de Operações Navais.

De acordo com um oficial da ativa que acompanha o surgimento dessas ideias, as possibilidades de diplomacia militar com os novos meios dependerão, essencialmente, de o quanto, em recursos, será disponibilizado, na próxima década, para tais missões.

É certo que as marinhas da Argentina e do Uruguai tentarão se valer dos dois navios para adestrar as suas tropas de fuzileiros navais que, em nossos dias, não dispõem de uma só embarcação própria para o desembarque no mar.

Outro cenário atraente para a diplomacia militar brasileira é a costa ocidental africana, onde a MB mantém algumas missões de cooperação com os africanos – em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Namíbia –, mas realiza poucas operações com os seus navios (normalmente navios menores, da classe Amazonas).

NDM Bahia

Sucessor – Entretanto, o campo para a diplomacia militar não está condicionado somente ao robustecimento da economia brasileira – de prognósticos, hoje, piores que os feitos pelos economistas no final do ano passado e no início deste ano –; ele depende também da sensibilidade para o problema militar daquele ou daquela que vier a suceder o presidente Michel Temer.

O atual chefe do Governo apoiou, na medida em que isso não lhe criava problemas com a área econômica, os planos de reequipamento das Forças Armadas. Durante o primeiro governo Dilma Roussef o então vice-presidente da República foi designado para supervisionar a implantação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), e chegou a ser brifado, em instalações militares do Centro-Oeste, sobre alguns equipamentos considerados prioritários para o Exército, como o Sistema Astros 2020.

Grosso modo, as análises dos planejadores militares partem da evidência de que os assuntos da Defesa Nacional estão entre aqueles que menor prioridade despertam entre os candidatos à Presidência da República – e que, o mais provável, é que os militares continuem a ser requisitados para ações de Garantia da Lei e da Ordem.

O ex-governador paulista Geraldo Alckmin já chegou a dizer que um eventual governo que ele presida manterá a intervenção dos militares na Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Sobre Defesa Nacional mesmo, quase não há manifestações, a não ser alusões vagas à necessidade de manutenção do SISFRON, como forma de prevenir a entrada ilegal no país de armas de fogo.

A fonte da Marinha ouvida pelo Poder Naval imagina que um ocasional governo Jair Bolsonaro será mais generoso com as verbas das Forças Armadas do que uma possível Administração Marina Silva. Mas ele lembra que, em 1974, quando o general de exército Ernesto Geisel assumiu a chefia da Nação, os militares também imaginavam que fosse acontecer uma liberação de verbas mais significativa para as suas Forças, e o que houve foi precisamente o contrário.

No caso de um chefe de governo de centro, como Alckmin, e até de atores da Esquerda do espectro político – como Ciro Gomes e Marina – militares ouvidos pelo blog imaginam que a Presidência da República continuará refém da política dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, de liberação de verbas orçamentárias a conta-gotas, como já acontece hoje – sujeita a contingenciamentos e promessas de repasses que acabam, mais tarde, canceladas.