Aero Vodochody comemora exportação de jatos L-39NG para o Senegal

Por Roberto Lopes
Especial para o Poder Aéreo

A direção da indústria aeronáutica Aero Vodochody, da República Checa, anunciou, na tarde desta quarta-feira (04.04), que, mais cedo neste dia, durante as festividades comemorativas do Dia da Independência de seu país, o presidente senegalês Macky Sall, anunciou, na capital Dacar, que seu governo comprou quatro jatos subsônicos checos L-39NG (New Generation), configurados para a instrução de pilotos de combate e missões de ataque ao solo.

A encomenda das aeronaves inclui um pacote de serviços constituído por treinamento para pilotos e pessoal de manutenção, qualificação de instrutores, documentação técnica, peças de reposição, equipamento de conservação dos aviões em terra e serviços logísticos. O valor do contrato não foi, contudo, divulgado. E nem a qual versão do L-39NG se refere a compra.

O jato da Aero Vodochody voa a uma velocidade máxima de 775 km/h, tem custo de hora de voo consideravelmente baixo – inferior a 2.500 dólares, segundo o fabricante – e representa uma solução bem menos onerosa que o treinador a jato multifunção Hawk, da BAE Systems – cujo valor de mercado (mesmo para aeronaves usadas desse modelo) se situa, hoje, no patamar dos 25/30 milhões de dólares.

Sucessor do famoso Aero L-39 Albatros – muito empregado pelas forças aéreas do Pacto de Varsóvia durante a Guerra Fria –, o novo 39NG usa aproximadamente 50% dos componentes que o Albatros usava.

O modelo NG é oferecido na versão 1 – mera atualização da estrutura do L-39 original, encorpada com um motor Williams International FJ44-4M e aviônicos atualizados –, e na versão 2, que representa um redesenho do Albatros com substanciais melhorias de projeto.

Entre as inovações do modelo 2 se destaca (1) a cabine de pilotagem tipo glass cockpit, (2) dotada de aviônicos Genesys Aerosystems, (3) cinco pontos duros sob as asas e na parte ventral – para carregar até 1,2 tonelada de armamentos (300 kg a mais que o L-39 transporta) – e, (4) sobretudo, a chamada wet wing: tipo de asa selada que funciona como armazenadora de combustível – inovação que, obviamente, dispensa os tanques de combustível de ponta de asa, característicos do modelo original.

“O L-39NG é o novo futuro da Aero Vodochody”, declarou à agência Reuters o presidente da companhia, Giuseppe Gordo. “Ele é baseado no bem sucedido conceito do L-39, mas construído mediante o uso de novas tecnologias e com a adoção de modernos sistemas. Atualmente também temos dois contratos adicionais em avançado estado de maturação”, acrescentou o executivo, sem revelar quais são esses possíveis clientes do avião.

Brasil – Nos últimos anos, o Marketing da Aero Vodochody tem investido nas forças aéreas sul-americanas.

O modelo original do L-39 foi oferecido ao Brasil, Uruguai, Bolívia e Venezuela. Na metade final dos anos de 2000, a companhia checa selecionou uma empresa de consultoria do Rio de Janeiro que, após alguns estudos, indicou aos europeus a conveniência de a empresa abrir uma linha de produção no interior do estado de Pernambuco.

Mas, apesar do interesse demonstrado pelo governo pernambucano na ideia – diante da perspectiva de investimento, da abertura de vagas de trabalho e da qualificação da mão de obra local em alta tecnologia –, essa filial nunca foi aberta.

O Administração Federal em geral, e o Comando da Aeronáutica em particular, reagiram com frieza ao plano da Aero Vodochody – supostamente imbuídos do convencimento de que a vinda da companhia para o Brasil representaria um risco em potencial para os negócios militares da Embraer.

Iraque – No mercado internacional, parte das aeronaves da Aero Vodochody parecem disputar clientela com jatos de treinamento e combate aéreo leve produzidos na China. Mas, recentemente, a empresa vendeu seus jatos leves de combate aéreo L-159 à Força Aérea do Iraque e à companhia Draken International, sediada no estado americano da Flórida, que fornece aeronaves “agressoras” aos treinamentos da Aviação de Caça das Forças Armadas dos Estados Unidos.

A Força Aérea Senegalesa não possui muitas aeronaves de asa fixa, e, até aqui, seu melhor aparelho de combate tem sido o Super Tucano, da Embraer, adquirido em 2013. O elemento de ataque ao solo da Aviação é completado por alguns helicópteros russos Mi-35 Hind.

Em janeiro passado a Aero Vodochody iniciou a produção de uma pré-série de aeronaves L-39NG. Serão fabricadas quatro unidades: a primeira e a última para provas de desempenho em voo; a segunda para testes estáticos, e a terceira para verificações de fadiga do material.

O voo inaugural de um avião da pré-série está previsto para acontecer no fim deste ano. A produção de série deve começar em 2022, a um ritmo de 16 jatos/ano.